terça-feira, 5 de outubro de 2010

10 anos!

Clica na foto que aumenta! Estou completando 10 anos de casada! Parece que o tempo não passou! Às vezes me questiono o quanto mudei nestes anos e também o quanto o Ronaldo mudou. Óbvio ululante, não estou apontando as mudanças exteriores, as quais são evidentes, "meu caro Watson". Me refiro às mudanças por dentro, na alma, no peito. Quando me casei, aos 18 anos, não fazia ideia de como seria viver ao lado dele. Era uma menina, literalmente uma menina! Bem, não existem matrimônios perfeitos. Assim, perfeitinho, só no campo das idealizações, das utopias, que justamente significam "lugar nenhum". É muito bom ter alguém pra amar. E se este envolvimento quer dizer comprometimento, melhor ainda - apesar de não ser isso o que muitas pessoas consideram. Por que relativizamos o compromisso, a aliança? Não é fantástico saber que existe alguém com quem selamos um pacto? Clica na foto que aumenta! Em casamentos desgastados, desrespeitosos, maléficos e desmoralizados, não me pergunte como agir. Também não sei o que dizer para aquela pessoa que já tentou de tudo para salvar seu relacionamento, chegando ao ponto de se consumir a si próprio, engolindo a seco sua individualidade. Perguntemos como vão os valores do casal. Cada um faz a sua realidade, dia a dia, ano a ano. São tantas nuances que emolduram a vida a dois, dificílimas, que não sou capaz de explicar o quê fazer para mudar a situação de gente que enfrenta os estados enumerados neste parágrafo. A grande verdade é que nós nos acostumamos a mentir que estamos casados, quando na realidade estamos casados somente no sentido de habitar a mesma casa. Contudo, não comungamos mais o valor semântico de casar os sentimentos, casar o respeito, casar uma vida em comum. Mentimos sempre pra nós mesmos, para que a mentira vire um lenitivo pra nossa miserável dor - dor de ter de suportar o outro - como se o conjunto fosse suportável. Logo, fingir que está tudo bem dá menos trabalho. Clica na foto que aumenta! Dez anos me ensinaram a tentar casar todos os dias. Eu caso de novo com meu marido quando mudamos os móveis, as roupas, a cara do jantar, o perfume ou até mesmo quando trocamos de casa. O lance é que precisamos mudar, porque nós mudamos. Os gostos transcendem e com eles uma dezena de sensações e pensamentos. Uma década, um fato: sou outra pessoa. E ele também. Quando meu esposo me pergunta por que não gosto mais de determinada coisa, não é simplesmente porque não aprecio mais esta coisa, e sim porque mudei. Vice-versa novamente. Neste contexto, lembro-me de uma professora da faculdade (vamos dar os créditos: Prof. Maria do Carmo, Psicologia da Educação), que adorava citar Heráclito de Éfeso, filósofo do "vir-a-ser". Dizia ela, postulando o pensamento, que ninguém pode "banhar-se duas vezes no mesmo rio, pois, ao banhar-se pela segunda vez, não será o banhista a mesma pessoa, nem o rio será o mesmo rio". Linda definição! Tudo muda! Se por um lado as pessoas mudam, ele, o matrimônio, paroxítona terminada em ditongo decrescente, continua sendo ele. Nós quem transfiguramos, porém marriage será sempre marriage. Se por um lado sofremos mutações enquanto gente, entendemos, portanto, que os protagonistas da relação matrimonial ou ficam díspares ou crescem juntos. Como continuar gostando da mesma pessoa na linha do tempo, mediante as diferenças que se avolumam? Não é uma resposta fácil. Deus tem que estar no negócio. E o casal tem que ter muita sensibilidade pra achar no outro uma novidade que faça o estômago borbulhar de alegria, como no início do relacionamento. As mudanças sempre vão existir em nós. Então as aproveitemos! Elas precisam ser portas de comunicação entre o casal, de modo que estas alterações internas sejam observadas e valorizadas, gerando novas estruturas. Senão você vira uma estranha para seu companheiro. E ele pra você. Desejo crescer junto com meu cônjuge. Ressalto que não falo aqui da relação profissional. Falo do entrosamento humano. Quero crescer como gente. Quero me sensibilizar com o que é belo, justo e verdadeiro, desejando alguém do meu lado que endosse e aumente minhas percepções. Num balanço superficial, penso que nos ajudamos a ser pessoas melhores, tanto nas obviedades da vida quanto na digestão e no trato daquilo que dói em nós. Ao levantarmos pela manhã, nesta data querida ("muitas felicidades, muitos anos de vida"), Ronaldinho me perguntou se eu fazia noção de que ficaríamos tanto tempo casados - mais - casados e sem filhos. Não nos casamos pensando em um dia nos separarmos, nem tampouco em filhos. Casamos pensando em amor, não só na realização corpórea da coisa (que aliás e infelizmente nem precisa do casamento para se concretizar); pensávamos em coisas simples, iguais a acordar do lado de quem se quer bem, conversar de madrugada, rir juntos, comprar coisas juntos, construir uma vivência juntos. Clica na foto que aumenta! Eu não conhecia a necessidade conjugal de estar bem no dia em que o outro está de saco cheio. Descobri com a vó Maria em meio as prosas, e depois vivendo. Claro e evidente que a vida não é tão simétrica a ponto de um estar num pólo e o outro corresponder. Sempre haverá dias em que os dois não estarão bem. Pois sim, descobri que, ainda que sujeitos às incertezas do acaso, um sempre tem de sorrir enquanto o outro come o seu bocadinho de fel. Um exercício real de paciência, disciplina e altruísmo, de ambos os lados. A convivência pode ser maçante se não fizermos dela uma delícia. Também quero deixar bem claro que casamento não se trata de uma fórmula de bolo, cuja receita faz-se assim ou assado. Mas, depois de tanto tempo juntos, a gente vai gerando nossos próprios clichêzinhos, não é mesmo? E assim a vida segue seu rumo. Viver em paz é uma bênção, mesmo nas nossas mudanças no correr cronológico. Pois é, vivendo MUTATIS MUTANDIS. Para melhor, lógico. E que venham mais dez, com a graça de Deus.

Um comentário:

  1. VOCES SÃO UMA BENÇÃO.
    QUE DEUS LHES PROPORCIONE MUITO MAIS VITORIAS DO QUE OS VOSSOS OLHOS JÁ ESTÃO VENDO.
    UM ABRAÇÃO

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