sábado, 26 de fevereiro de 2011

À minha amiga Leize Castelano

Leize!

Estou muito feliz por sua cura!

Leize é uma simpática amiga minha, metodistona, professora e mãe de família. Ano passado apareceu um problema de saúde nela, um hipertireoidismo que a deixou bem magrinha. Houve outras complicações também, e Leize as aguentava firme, quietinha, boa mineira que é. Pra complicar, o medicamento que usava para controlar a disfunção tireoidiana lhe trouxe sérias reações adversas e, não obstante isso, não tinha endocrinologista em Muriaé para atendê-la.

Mas a bichinha, apesar da magreleza, correu atrás de seu tratamento. Sem especialista para atendê-la, depois de muito andar, foi a uma clínica geral e, surpresa: o novo exame denotava que seu índice de TSH estava dentro da normalidade. A médica, meio duvidosa, pediu uma cintilografia da tireóide de Leize, além de um novo exame. Lá estava constatado: a glândula de minha amiga estava perfeita, funcionando bem como a de qualquer pessoa muito saudável.

Explicações? Glória Àquele que nos amou primeiro. Que não distingue metodista, batista, católico, evangélico, crente, não crente, bons, maus, justos e injustos. Bendito seja Aquele que nos amou primeiro!

Não houve show da fé. Leize não bebeu água ungida. Não fez macumba de evangélico. Não fez sessão do descarrego, nem levou pra casa uma caneta bic vagabunda com água de pia, com o se fosse água do Jordão. Não. Leize calou a boca e Deus já sabia o que ela precisava. Aprouve a Ele a Soberania em curá-la. Só a Ele, digno de nosso louvor e gratidão. Mais nada.

Leize, te amo em Cristo, irmã!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A nova moda do jet set







A onda agora na igreja é fazermos jejum de novelas.

-"Elas escravizam!" - ouço à exaustão.

Não quero aqui me ater à ridícula possibilidade de te dizer o que você deve fazer ou não. Se deve assistir às novelas. Isto é doença e não chama ninguém à vida adulta.

Quanto mal há em dizermos ao outro o que deve fazer ou deixar de fazer! Esquecemos de ler Romanos 14. Devoremo-lo no café da manhã.

Quando adultos, somos responsáveis pelos nossos desejos, vontades, escolhas e paradigmas. Detesto receita de bolo para ensinar os outros a viver. E o Evangelho nos chama a sermos responsáveis pelas nossas escolhas, sabendo que todas as coisas me são lícitas, mas que nem todas convêm fazer.

E agora, José? O que não me convém fazer?

Crente sempre quer um mágico de oz para respondê-lo. Operar a liberdade em Cristo é muito mais difícil. Dificílimo. Uma cartilha seria o ideal para nós, dizendo se posso usar piercing, se devo amar os homossexuais, se faço ou não tatuagens, se bebo alcóolicos ou não, se vou ao show da Cláudia Leite; se como crustáceos, carne de porco, bichos da unha fendida e se guardo os sábados. Viva à Lei! Abaixo a graça e a liberdade em Cristo! Ela é muito escandalosa!

Chamamos a pessoa que pratica o que desaprovamos de fraca, e mostramos para ela que nós somos os herdeiros da salvação, pois estamos sendo “fiéis”, e por isto merecemos tudo de Deus. Outra vez jogamos nossa própria justificação e "mérito" na face daquele que é Perfeito.

Diversas vezes ouvi “lideranças” dizerem que fulano “perdeu a credibilidade” por ter pecado, e não ganhará mais o púlpito. Ou seja, não pregará mais para ninguém. Que fulano “jamais chegará ao conhecimento da verdade”. Colocar régua nos outros é nossa missão maior. Queremos evitar os escândalos na igreja, queremos evitar pessoas que dão problemas porque não queremos envolvimento nem trabalho, queremos do nosso lado só gente sã e salva, santos cantando num lindo coral. Ainda que por dentro estejam muito mal, a aparência de pacificação dá menos trabalho, ao pastor e a mim mesmo.

Levantamos novamente as tábuas da lei de Moisés e novamente anulamos a cruz. Apontamos o dedo dizendo que os mais santos são os que mais fazem as performances do culto. A graça vira uma desgraça e achamos que por nossos esforços as pessoas serão salvas. Queremos ter a melhor voz pra cantar, trazer os louvores mais modernos, liberar palavra de unção sobre a vida da igreja, enfim, sermos os mandachuvas donos da congregação, os quais fazem tudo e são vistos o tempo todo, dando ordens ao Espírito para soprar ali e aqui.

Colocamos uma régua para o outro e o ajudamos a medir o quanto ele é santo, mas a régua nunca é o suficiente o bastante para medir a nossa própria língua. Santidade pra nós virou um esforço incomum, algo que poucos conseguem alcançar. Até para nos edificarmos já anulamos a graça, e na realidade acabamos não edificando ninguém. Dizemos que para sermos santos não devemos fumar, beber, manter relações íntimas com o companheiro antes do casamento nem assistir a novelas. Reduzimos a santidade somente a hábitos, comida, bebida e abstinência de televisão. Determinadas coisas podem ser importantes, mas em relação à doença dentro de nós, a qual ninguém vê (exceto Ele), o que fazer?

Ser fariseu é muito mais fácil do que ser discípulo. É por demais tranquilo dar ofertas na igreja, mas ajudar o faminto dá muito trabalho. Facílimo é deixar de assistir a novelas, o difícil é parar de desejar a mulher do próximo. É muito fácil não comer ou beber determinada coisa, o difícil é parar de nos contaminar apontando o dedo pro outro, chamando juízo de Deus. Berramos que teremos um namoro santo, o difícil é chegar em casa, na intimidade só, e não entrar na pornografia da internet e aí ladeira abaixo.

É muito fácil exercer uma falsa piedade, dizendo ao meu irmão em apuros que o Senhor é com ele, e depois virar as costas e deixar que ele se vire - pois nunca queremos nos envolver com ninguém, é difícil demais. É muito fácil não me assentar na roda dos escarnecedores, o difícil é fazer com que a igreja seja manancial de graça ao pecador sentado na roda dos escarnecedores. É muito fácil usar uma roupa que julgo santa, enquanto meu guarda-roupa tem opção para isto. É muito fácil ter uma palavra de vitória para dar a alguém, o difícil é botar a mão no bolso e ajudar quem está precisando! É muito fácil dizer ao nosso irmão que ele anda sumido quando não o vemos na igreja; o difícil é sair do conforto da nossa casa e saber se ele está bem, ou gastar um telefonema. É muito fácil dizimar. O difícil é ter nossa casa varrida pela enchente ou furtada e não jogarmos na cara de Deus que dizimamos, pois dízimo virou barganha. Ora, viver fora da graça é farisaísmo!!!!!


..."mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que para trás ficam, avanço para as que estão adiante de mim, prosseguindo para o alvo(...)da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" Fp 3:13b-14

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Púlpito Cristão: CAIO FÁBIO: ovelha em pele de lobo

Púlpito Cristão: CAIO FÁBIO: ovelha em pele de lobo: "Por Leonardo Gonçalves O evangelicalismo brasileiro é marcado por figuras controversiais. Há gente boa e anônima, ladrões famigerados, e a..."

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Graça, incondicionalmente graça

A gente acha que a palavra de vitória é a graça de Deus. Graça não é ilusão.

Na "i"greja, batemos na tecla o tempo todo como se merecêssemos as nossas regalias. Afinal, viramos donos de Deus. Merecemos a graça, o mundo não. Dizemos que Deus têm seus xodozinhos. Dizemos que fulano é mais abençoado que sicrano. Dizemos que vamos ter só vitórias e que vamos prosperar. Nas reuniões dominicais, dizemos que vamos ter uma semana abençoada, mas não dizemos que vamos ter uma semana em graça.
A verdade é que ninguém merece nada, mas queremos exigir de Deus tudo, haja vista sermos "filhos." Se entendêssemos que no nada que merecemos, Ele faz muito mais que pedimos e pensamos, não gastaríamos nosso tempo nos cultos para clamar por prosperidade sobre o povo, nem iludiríamos ninguém com estelionato religioso, prometendo que Deus fará determinada coisa a alguém, mas dizemos isto pra massagear o ego do povo e inflar as "i"grejas.

Crente não gosta de ouvir que não merece nada. Puxa, se ele está tendo todo o sacrifício de viver “pra Deus”, renunciando ao mundo, batendo de frente com o capeta, se obrigando a vir ao templo todos os dias...
-"Deus deve ter preferências por mim, mais que o outro que nada fez, não é? Afinal eu me consumo na obra de Deus! Eu sei! Ele gosta mais de mim que de outros filhos!"

Que Cristo é este que estamos ensinando?

Jesus, na parábola do filho pródigo, revela o amor do Pai a qualquer filho. Sem trocas. Sem méritos. Sem palhaçada.

Ouvi certa feita um pregador dizer que Jesus contou a parábola do filho pródigo para que aprendêssemos a "não ser o filho pródigo", gerando problemas “para pastor resolver”. Muito me debati em mim, achando a interpretação desse pastor simplista demais, eivada de desejo de não envolvimento “com os problemáticos” e, além de tudo, totalmente desprovida de graça.

Quando eu, pessoalmente, penso na parábola do filho pródigo, entendo que Jesus a contou para trazer à existência ao mundo uma graça que até hoje muitos de nós não compreendemos. Uma graça de um pai que ama o filho independentemente de seu comportamento, independentemente das atitudes que trouxeram prejuízo à toda a família, independentemente se o irmão mais velho, que dedicou sua vida toda ao pai, iria gostar ou não que este mau filho retornasse. Um amor que não depende de opiniões para amar. Um amor capaz de dar a liberdade ao filho para errar, para aprender com erro, sabendo que aquelas sucessões de fracassos o fariam um filho muito melhor, ao contrário do que julgamos.

O pai da parábola, que é ninguém menos que o próprio Deus, ama tanto o filho que, ao invés de recriminá-lo como qualquer um de nós faria, dá-lhe a parte da herança que lhe cabe e, com ela, a liberdade de deixar o filho fazer o que bem entender, ainda que este filho vá embora consumir toda a sua riqueza. Isto é graça. Em momento nenhum da parábola vemos o pai dizer o que o filho “mau” deveria fazer com o dinheiro. Nem vemos o pai dizer aonde este filho deveria ir, ou quais regras ou passos deveria dar para conseguir algo. Não vemos o pai encher o filho nem de leis nem de conselhos, pois durante toda a vida já os dera. Ele simplesmente o deixou ir, num favor que este rebento simplesmente não merecia.

Seu retorno foi emocionante. Voltou um filho não deslumbrado. Não endurecido. E que agora sabia reconhecer quem ele era no pai e quem era o pai nele. Os papéis estavam desenhados e claros; o banquete imerecido mais uma vez revela a graça de um amor que não condena, quando poderia ter traçado juízo para o mau filho. Na verdade, celebrou o arrependimento, e celebrará quantas vezes se fizer necessário. Favor não merecido.

Yansey, em seu livro "Maravilhosa graça", cita que Jesus não nos contou as parábolas para nos ensinar a viver. "Creio que ele as contou para corrigir nossa noção a respeito de quem Deus é e a quem Deus ama". Faço dele as minhas palavras. Palavras de Rita Angélica, pobre pecadora, imerecedora de tanto amor de Deus.