sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A nova moda do jet set







A onda agora na igreja é fazermos jejum de novelas.

-"Elas escravizam!" - ouço à exaustão.

Não quero aqui me ater à ridícula possibilidade de te dizer o que você deve fazer ou não. Se deve assistir às novelas. Isto é doença e não chama ninguém à vida adulta.

Quanto mal há em dizermos ao outro o que deve fazer ou deixar de fazer! Esquecemos de ler Romanos 14. Devoremo-lo no café da manhã.

Quando adultos, somos responsáveis pelos nossos desejos, vontades, escolhas e paradigmas. Detesto receita de bolo para ensinar os outros a viver. E o Evangelho nos chama a sermos responsáveis pelas nossas escolhas, sabendo que todas as coisas me são lícitas, mas que nem todas convêm fazer.

E agora, José? O que não me convém fazer?

Crente sempre quer um mágico de oz para respondê-lo. Operar a liberdade em Cristo é muito mais difícil. Dificílimo. Uma cartilha seria o ideal para nós, dizendo se posso usar piercing, se devo amar os homossexuais, se faço ou não tatuagens, se bebo alcóolicos ou não, se vou ao show da Cláudia Leite; se como crustáceos, carne de porco, bichos da unha fendida e se guardo os sábados. Viva à Lei! Abaixo a graça e a liberdade em Cristo! Ela é muito escandalosa!

Chamamos a pessoa que pratica o que desaprovamos de fraca, e mostramos para ela que nós somos os herdeiros da salvação, pois estamos sendo “fiéis”, e por isto merecemos tudo de Deus. Outra vez jogamos nossa própria justificação e "mérito" na face daquele que é Perfeito.

Diversas vezes ouvi “lideranças” dizerem que fulano “perdeu a credibilidade” por ter pecado, e não ganhará mais o púlpito. Ou seja, não pregará mais para ninguém. Que fulano “jamais chegará ao conhecimento da verdade”. Colocar régua nos outros é nossa missão maior. Queremos evitar os escândalos na igreja, queremos evitar pessoas que dão problemas porque não queremos envolvimento nem trabalho, queremos do nosso lado só gente sã e salva, santos cantando num lindo coral. Ainda que por dentro estejam muito mal, a aparência de pacificação dá menos trabalho, ao pastor e a mim mesmo.

Levantamos novamente as tábuas da lei de Moisés e novamente anulamos a cruz. Apontamos o dedo dizendo que os mais santos são os que mais fazem as performances do culto. A graça vira uma desgraça e achamos que por nossos esforços as pessoas serão salvas. Queremos ter a melhor voz pra cantar, trazer os louvores mais modernos, liberar palavra de unção sobre a vida da igreja, enfim, sermos os mandachuvas donos da congregação, os quais fazem tudo e são vistos o tempo todo, dando ordens ao Espírito para soprar ali e aqui.

Colocamos uma régua para o outro e o ajudamos a medir o quanto ele é santo, mas a régua nunca é o suficiente o bastante para medir a nossa própria língua. Santidade pra nós virou um esforço incomum, algo que poucos conseguem alcançar. Até para nos edificarmos já anulamos a graça, e na realidade acabamos não edificando ninguém. Dizemos que para sermos santos não devemos fumar, beber, manter relações íntimas com o companheiro antes do casamento nem assistir a novelas. Reduzimos a santidade somente a hábitos, comida, bebida e abstinência de televisão. Determinadas coisas podem ser importantes, mas em relação à doença dentro de nós, a qual ninguém vê (exceto Ele), o que fazer?

Ser fariseu é muito mais fácil do que ser discípulo. É por demais tranquilo dar ofertas na igreja, mas ajudar o faminto dá muito trabalho. Facílimo é deixar de assistir a novelas, o difícil é parar de desejar a mulher do próximo. É muito fácil não comer ou beber determinada coisa, o difícil é parar de nos contaminar apontando o dedo pro outro, chamando juízo de Deus. Berramos que teremos um namoro santo, o difícil é chegar em casa, na intimidade só, e não entrar na pornografia da internet e aí ladeira abaixo.

É muito fácil exercer uma falsa piedade, dizendo ao meu irmão em apuros que o Senhor é com ele, e depois virar as costas e deixar que ele se vire - pois nunca queremos nos envolver com ninguém, é difícil demais. É muito fácil não me assentar na roda dos escarnecedores, o difícil é fazer com que a igreja seja manancial de graça ao pecador sentado na roda dos escarnecedores. É muito fácil usar uma roupa que julgo santa, enquanto meu guarda-roupa tem opção para isto. É muito fácil ter uma palavra de vitória para dar a alguém, o difícil é botar a mão no bolso e ajudar quem está precisando! É muito fácil dizer ao nosso irmão que ele anda sumido quando não o vemos na igreja; o difícil é sair do conforto da nossa casa e saber se ele está bem, ou gastar um telefonema. É muito fácil dizimar. O difícil é ter nossa casa varrida pela enchente ou furtada e não jogarmos na cara de Deus que dizimamos, pois dízimo virou barganha. Ora, viver fora da graça é farisaísmo!!!!!


..."mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que para trás ficam, avanço para as que estão adiante de mim, prosseguindo para o alvo(...)da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" Fp 3:13b-14

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