A gente acha que a palavra de vitória é a graça de Deus. Graça não é ilusão.
Na "i"greja, batemos na tecla o tempo todo como se merecêssemos as nossas regalias. Afinal, viramos donos de Deus. Merecemos a graça, o mundo não. Dizemos que Deus têm seus xodozinhos. Dizemos que fulano é mais abençoado que sicrano. Dizemos que vamos ter só vitórias e que vamos prosperar. Nas reuniões dominicais, dizemos que vamos ter uma semana abençoada, mas não dizemos que vamos ter uma semana em graça.
A verdade é que ninguém merece nada, mas queremos exigir de Deus tudo, haja vista sermos "filhos." Se entendêssemos que no nada que merecemos, Ele faz muito mais que pedimos e pensamos, não gastaríamos nosso tempo nos cultos para clamar por prosperidade sobre o povo, nem iludiríamos ninguém com estelionato religioso, prometendo que Deus fará determinada coisa a alguém, mas dizemos isto pra massagear o ego do povo e inflar as "i"grejas.
Crente não gosta de ouvir que não merece nada. Puxa, se ele está tendo todo o sacrifício de viver “pra Deus”, renunciando ao mundo, batendo de frente com o capeta, se obrigando a vir ao templo todos os dias...
-"Deus deve ter preferências por mim, mais que o outro que nada fez, não é? Afinal eu me consumo na obra de Deus! Eu sei! Ele gosta mais de mim que de outros filhos!"
Que Cristo é este que estamos ensinando?
Jesus, na parábola do filho pródigo, revela o amor do Pai a qualquer filho. Sem trocas. Sem méritos. Sem palhaçada.
Ouvi certa feita um pregador dizer que Jesus contou a parábola do filho pródigo para que aprendêssemos a "não ser o filho pródigo", gerando problemas “para pastor resolver”. Muito me debati em mim, achando a interpretação desse pastor simplista demais, eivada de desejo de não envolvimento “com os problemáticos” e, além de tudo, totalmente desprovida de graça.
Quando eu, pessoalmente, penso na parábola do filho pródigo, entendo que Jesus a contou para trazer à existência ao mundo uma graça que até hoje muitos de nós não compreendemos. Uma graça de um pai que ama o filho independentemente de seu comportamento, independentemente das atitudes que trouxeram prejuízo à toda a família, independentemente se o irmão mais velho, que dedicou sua vida toda ao pai, iria gostar ou não que este mau filho retornasse. Um amor que não depende de opiniões para amar. Um amor capaz de dar a liberdade ao filho para errar, para aprender com erro, sabendo que aquelas sucessões de fracassos o fariam um filho muito melhor, ao contrário do que julgamos.
O pai da parábola, que é ninguém menos que o próprio Deus, ama tanto o filho que, ao invés de recriminá-lo como qualquer um de nós faria, dá-lhe a parte da herança que lhe cabe e, com ela, a liberdade de deixar o filho fazer o que bem entender, ainda que este filho vá embora consumir toda a sua riqueza. Isto é graça. Em momento nenhum da parábola vemos o pai dizer o que o filho “mau” deveria fazer com o dinheiro. Nem vemos o pai dizer aonde este filho deveria ir, ou quais regras ou passos deveria dar para conseguir algo. Não vemos o pai encher o filho nem de leis nem de conselhos, pois durante toda a vida já os dera. Ele simplesmente o deixou ir, num favor que este rebento simplesmente não merecia.
Seu retorno foi emocionante. Voltou um filho não deslumbrado. Não endurecido. E que agora sabia reconhecer quem ele era no pai e quem era o pai nele. Os papéis estavam desenhados e claros; o banquete imerecido mais uma vez revela a graça de um amor que não condena, quando poderia ter traçado juízo para o mau filho. Na verdade, celebrou o arrependimento, e celebrará quantas vezes se fizer necessário. Favor não merecido.
Yansey, em seu livro "Maravilhosa graça", cita que Jesus não nos contou as parábolas para nos ensinar a viver. "Creio que ele as contou para corrigir nossa noção a respeito de quem Deus é e a quem Deus ama". Faço dele as minhas palavras. Palavras de Rita Angélica, pobre pecadora, imerecedora de tanto amor de Deus.
Boa!
ResponderExcluirEntrei em um blog chamado "Dedo de prosa, angú e torresmo cabeludo", atraído pelo nome tao polêmico que me fez lembrar a maravilhosa gastronomia de buteco da cidade de Varginha e outras tantas do sul de Minas Gerais.
Nao pensei, no entanto, que ao chegar me encontraria com um texto tao gostoso sobre a graça de Deus.
Quem nao gosta da graça, amiga Rita, é bobo! Porque se nao for de graça, entao já nao resta nada para se ter, nada para se viver...
Mas isso é assim mesmo, amiga. A graça é aquela pérola de grande valor, que ao encontrá-la um homem vendeu tudo que tinha para poder possuí-la. Tudo que tinha por uma pérola! Nao importou-se em vender a casa e dormir no relento: Ele tinha a pérola! Nao pensou no que ia comer no dia seguinte: o importante era que agora ele possuia a pérola!
Nada do que eu tive, nada do que eu terei... nenhuma riqueza deste mundo se compara a posse desta graça sublime, sem méritos, sem barganhas... totalmente de graça.
NEle, que nos ensina que nao há nada que possamos fazer para merecer o reino; apenas podemos recebê-los gratuitamente, como criancinhas.
Leonardo.
Meu irmão Leonardo,
ResponderExcluirGrande satisfação vê-lo comentar em meu humilde blog. Espero crescer em graça e estatura, pois quando virar "gente grande", anseio colocar neste pequeno espaço parte das palhaçadas que temos visto no meio "evangélico", citando nomes inclusive, assim como você o faz. Por enquanto, vou comendo quietinha, boa mineira que sou. Depois, é tomar a capa de profeta e denunciar estes "Infelicianos", "VALAdões", "MALAfaias" e cia ltda, sabendo, em meu coração também, que o Evangelho não se resume a apenas isto. Além das denúncias, vou sempre bater o mesmo prego nesta "reforma": Sem Graça não há Evangelho.
Em Cristo, Deus Maravilhoso.
Rita Angélica,
ResponderExcluirSempre que você bater nessa tecla (no melhor estilo Yancey, Brennan Manning e Caio Fábio), terá um lugar para um post seu no Púlpito Cristão. Isso se você quiser, é claro!
Abraço fraterno,
Leonardo.
Leonardo,
ResponderExcluirPenso que tenho que comer muito angú e torresmo para ter bagagem para escrever ao "Púlpito Cristão". Vou, por enquanto, bem devagar porque já tive pressa! Imagino que ainda não tenho tanto poder de argumentação para suportar as pesadas críticas advindas dos comentários quando da publicação dos posts, e bem sei da importância de seu blog na perspectiva das opiniões que forma.
Já em meu bloguinho, de quando em vez publico post ou outro. Dessa forma, se te convier, pode usá-los quando couberem na situacionalidade, e inclusive corrigir-me. É óbvio que será grande honra vê-los publicados.
Fique com Jesus, Nosso Senhor!